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ACHEI! Fábio Noronha, o regenerado

014354872001.jpgA fama de problemático atrapalhou a carreira do goleiro Fábio Noronha, de 32 anos. Ainda nos juniores do Flamengo, chegou a ser apontado como candidato a futuro goleiro da seleção brasileira. Mas o sucesso, que durou pouco, subiu à cabeça rapidamente e o jogador perdeu o rumo da carreira. Hoje, tenta reencontrá-lo em Hong Kong - de onde não pretende sair tão cedo - e garante não cometer mais os erros do passado.

Em entrevista ao GLOBOESPORTE.COM, por telefone, enquanto andava pelas ruas de Hong Kong para ir ao treino de seu time, o Happy Valley, Fábio Noronha afirmou ter amadurecido e que sabe que fez tudo errado no início da promissora carreira.

- Eu era o cara. Naquela época, se alguém fosse apontar um garoto para fazer sucesso no profissional do Flamengo, me apontava. Eu não tive a cabeça tranqüila para me concentrar no meu trabalho. Fiz muita besteira fora de campo. O futebol de hoje não tem mais espaço para o chamado boleiro, aquele cara que vai para o pagodinho, perde a noite e depois vai para o treino de manhã - diz.

Sucesso em Hong Kong

Após deixar o Flamengo, Fábio passou por Fluminense, América-MG, Gama, Angra e Portuguesa-SP. Da Lusa, assinou contrato de quatro anos com o Ankaraspor, da Turquia. Após duas temporadas, teve que operar o joelho e entrou em acordo para a rescisão. De volta ao Brasil, defendeu o América no Carioca de 2006 e foi campeão goiano com o Atlético-GO no ano seguinte. Acertou com o ABC-RN para disputar a Série C em 2007, mas saiu dois meses depois para atuar no futebol de Hong Kong.

- Logo no meu início aqui, disputei o torneio do ano novo chinês pela seleção do campeonato, que joga com a camisa da seleção de Hong Kong. Peñarol (URU), Hyunday (COR) e Hadjuk Split (CRO) vieram jogar. Há 15 anos que o time local não era campeão e dessa vez conquistamos o título - conta.

O Happy Valley está na quarta colocação do campeonato nacional, faltando quatro rodadas para o fim da competição. As boas atuações do brasileiro chamaram a atenção do South China, atual campeão e líder isolado.

- O meu time já me ofereceu para renovar por dois anos, mas li nos jornais que o South China está interessado. Vou aguardar. O South China é um clube com mais estrutura e paga prêmios melhores por vitórias - afirma.

Colonizado por ingleses, Hong Kong só voltou a fazer parte da China em 1997, mas tem autonomia para leis próprias e possui uma das economias mais liberais do mundo. O estilo de vida agradou o goleiro brasileiro.

- Estamos no território chinês, mas é tudo totalmente independente da China. São até duas seleções diferentes de futebol. Como a colonização é inglesa, parece um país europeu. Tudo funciona, tudo é organizado, muito limpo. Há muitos estrangeiros e encontra-se facilmente restaurantes de comidas de vários países. É um lugar maravilhoso, violência zero.

Retorno só para clube grande

Fábio diz que dificilmente voltará para o Brasil, já que "só um clube grande pagaria salários iguais ao de Hong Kong". O goleiro sabe que, quase aos 33 anos, não seria fácil encontrar lugar em um dos maiores times brasileiros.

- Depois que um jogador sai de um clube grande, é muito mais difícil voltar do que um atleta que começa em um pequeno. As pessoas lembram que o Fábio Noronha era uma promessa no Flamengo. 'Por que não ficou lá? Tem alguma coisa errada' podem dizer - cogita.

Para acompanhar o futebol brasileiro, o goleiro acessa o GLOBOESPORTE.COM, já que pode ver os vídeos das partidas. A internet ajuda a matar as saudades da família, que ficou no Rio.

- Para quem mora fora, a internet é a melhor coisa. Telefone é muito caro (risos). É bom que tem TV a cabo com canais do mundo todo, porque só TV chinesa não dá, não entendo nada.


Do Melhor Linkk | del.icio.us

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